Recebi um e-mail da minha mãe (mal sabia ela onde se metia, coitadinha) para se fazer um boicote às gasolineiras, aparentemente uma mensagem muito popular. A ideia é não abastecermos na GALP e na BP para que eles baixem os preços. Os argumentos dos autores são os seguintes:
- "não há mais falta de petróleo, actualmente é mais abundante que há 35 anos quando o preço do litro era a 0,20€."
- "Como todos temos necessidade de nos deslocarmos com os nossos automóveis, não podemos, evidentemente, privar-nos da gasolina."
A minha resposta foi esta (perdoa-me mãezinha, gosto muito de ti):
"Querida mãe

Não concordo. Já sei que vais dizer que sou uma activista maluca, mas esta aproximação é completamente errada. O que temos que mudar é a mentalidade de usar o carro para todo e qualquer percurso que fazemos, e a única maneira de o fazer em Portugal é brincar com a carteira das pessoas. Nos últimos 3 meses vi mais pessoas a andar de bicicleta do que em qualquer outro momento da minha vida, creio que seja devido ao preço dos combustíveis.
Não temos que ser fanáticos e andar só de bicicleta (tal como tenho sido injustamente
acusada), mas sabes bem que há muita coisa a mudar. Basta utilizar-se mais os transportes públicos no dia a dia e deixar o carro para uma ou outra ocasião e já se faz uma diferença enorme.
A ideia que temos muito petróleo também é fictícia, já atingimos o pico do petróleo e
é inevitável que ele comece a escassear, não hoje mas sim no futuro. O que é preferível, continuar nesta loucura dos carros (onde Portugal é dos países do mundo com mais automóveis per capita, o que é completamente ridículo tendo em conta a nossa situação económica) ou ir mudando os nossos hábitos a pouco e pouco? Para mim a resposta é clara. Quando uso o carro pago por esse luxo. Nos outros dias vou de transportes e de bicicleta.
Cumprimentos da filhinha maluca
Raquel Guerreiro"