O leitor Miguel Brito tem feito sistematicamente comentários muito carinhosos sobre os meus posts, sendo este o meu favorito: “Descobri este blog recentemente, e é sintomático da nova atitude pedalistica: Descubro cada vez mais que andar de bicicleta não é simples, natural e complementar, é algo religioso, obsessivo e de atitude talibã. Porque será que quem pedala quer sempre ser "mata-carros"? Assumem a sua liberdade de escolha como pedadogia revolucionária para impor aos outros a sua visão parcelar.”
Caro Miguel.
Fico muito feliz por ter descoberto este blog. No entanto, nego sofrer de quaisquer complexos religiosos, obsessivos ou de talibãs . Deixe-me dizer-lhe que uso o carro todas as semanas, tal como uso a bicicleta, os transportes públicos e os meus pézinhos. Não sou nem quero ser mata-carros. Pode acontecer num ou noutro dia de frustração eu expressar os meus sentimentos no meu blog PESSOAL (que só lê quem quer), tal como já aconteceu.
Quero deixar muito claro: não sou exemplo para ninguém. Dizer mal é fácil, é o que os portugueses mais fazem. Já apontar o que está mal e apresentar ALTERNATIVAS é muito mais dificil e interessante, e é esse o intuito deste blog: apresentar um estilo de vida alternativo para quem está descontente ou quer algo mais.
Se está contente com tudo na sua vida e acha que não tem de alterar nenhum comportamento nem nenhuma atitude e que é perfeito, ainda bem. Oxalá fossemos todos assim, tão divinos. Eu não tenho ilusões de perfeição, tento melhorar todos os dias, fazendo pequenas acções que me beneficiem a mim, mas também aqueles que me rodeiam.
Deixo também muito claro que quero ser livre de pedalar se assim o desejar, sem ter que aturar as bestas que passam por mim em excesso de velocidade e põem em perigo a minha vida (e portanto a minha liberdade) e sem apitadelas de anormais que não têm o mínimo de respeito pelos outros. Tal como se quiser ir de carro, a pé, de trotinete, a cavalo, ou mesmo nua a correr pelas ruas não admito que ninguém mo impeça, especialmente se puserem a minha vida em perigo.
Caro Miguel, não quer andar de bicicleta? Não ande. Não quer usar os transportes públicos? Não use, leve o seu carro para onde quizer, desde que não me atropele quando vou de bicicleta ou a pé, nem me bata quando vou de carro, somos todos amigos. Não quer levar comida feita de casa? Não leve, mas não admito que mande boquinhas a dizer que ando a roubar comida que alguém trabalhou para comprar por mim. O excelentíssimo não me conhece nem faz ideia do que faço ou deixo de fazer para ter aquilo que tenho e para ser aquilo que sou.
Eu vou continuar alegremente a apresentar alternativas inteligentes, engraçadas, originais, económicas e saudáveis a todos aqueles que querem mudar qualquer coisa nas suas vidas.

E até lhe deixo uma foto minha a andar de comboio e portanto, de acordo com a sua lógica, a ser moralista e talibã.
Cumprimentos e bons pontos de embraiagem para si