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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Geração rasca ou à rasca?

A propósito da música dos Deolinda "que parva que sou" e da “manifestação da geração à rasca” tenho ouvido muito: que os jovens tiveram tudo, tiram cursos na faculdade só para não irem trabalhar e que lá ficam a limpar o pó às cadeiras durante anos, que saem da faculdade e não sabem nada, que não querem trabalhar, que só querem é noite e copos.

É verdade que esses existem, conheço alguns exemplares dessa fauna.

Mas existem os outros: os que estudaram porque acreditaram que assim teriam um futuro melhor, os que desde cedo trabalharam para ganhar o seu, dedicados, esforçados, obrigados a estágios não remunerados sem fim, trabalham a falsos recibos verdes por ordenados ridículos, que depois da carga de impostos ficam ainda mais ridículos. Aqueles que querem sair de casa, construir família ou simplesmente construírem-se a eles próprios mas não conseguem, porque os direitos (adquiridos) são para os outros.

E sabem o que acontece a muitos desses jovens brilhantes e trabalhadores? Saem do País (fuga dos cérebros - estima-se que um em cada dez licenciados emigre). Claro que depois me dizem: também na década de 60 saíram milhares de jovens porque cá só havia fome.

Foi uma situação terrível, é verdade, mas também é verdade que eram mão de obra não qualificada, enquanto que hoje os que saem são os melhores, os mais qualificados e esforçados que ao ver que este país só os lixa preferem ser os agentes de mudança no estrangeiro. Conheço muitos destes casos. "Portugal é um país de baixas qualificações e está a deixar ir embora quem poderia trazer mais competitividade à economia".

A questão é: bandalhos há muitos, em todas as idades, formas e feitios. Não é por eles, nem com eles que se mudam as coisas. Pessoas qualificadas e que se esforçam também as há, mesmo na geração rasca. E também já se sabe que antes as coisas eram más, mas isso também não é justificação para agora não lutarmos para que sejam melhores.

Assim, eu, que comecei a trabalhar antes de terminar a licenciatura, que fui obrigada a fazer mais de 20 meses de estágios não remunerados, que trabalho a falsos recibos verdes, que ganho menos que o ordenado mínimo nacional e que neste momento estou seriamente a pensar em sair do país, vou à manifestação dia 12 de Março de 2011 na Avenida da Liberdade!

Se também se sentem lixados, independentemente da idade ou estatuto social, exijam ser ouvidos! (os amorfos podem ao menos ir passear na avenida e ver o desenrolar da coisa, é capaz de ser giro ...)


domingo, 30 de janeiro de 2011

Transportes Públicos - o drama

Foi há já algumas semanas que a Transtejo decidiu eliminar 5 carreiras na hora de ponta nos barco que fazem a ligação entre Seixal e Lisboa, passando o tempo de espera entre barcos de 15 para 25minutos. Fora das horas de ponta há barcos apenas de hora a hora e o último barco durante a semana é às 23.30h, sendo que o primeiro é as 06.10h. Ao fim de semana o último barco é às 21.40h! O mesmo problema ocorre com o comboio da Fertagus: o último comboio sai de Roma-Areiro à 01.27h e o primeiro às 05.42h. Ao fim de semana o último comboio sai de Roma-Areeiro às 00.42h.

Portanto quem trabalha por turnos, ou alguém que por qualquer motivo saia tarde Lisboa… AZAR! Vão a nado. Isto é especialmente grave quando temos tantos acidentes na estrada com jovens condutores embriagados que vêm da noite de Lisboa. Claro que a culpa é de quem bebe e conduz, mas a verdade é que não existem alternativas ao carro no regresso a casa.

Dentro da margem sul o drama é ainda pior. O metro sul do Tejo é o que se sabe: não liga nada a nada, linha mal pensada, buraco orçamental, na minha zona nem vê-lo. Os autocarros são uma comédia. Eu de bicicleta demoro 20 minutos (em média) da minha casa aos barcos do Seixal, a camioneta demora 25minutos. É anedótico.

Para quem tem o passe social é monetariamente vantajoso utilizar os transportes públicos, mas para um utilizador ocasional não. Os bilhetes únicos são caríssimos. Se eu quiser ir passear a Lisboa ao fim-de-semana com uns quantos amigos seja de barco seja de comboio,sai-me muito mais barato ir de carro do que comprar bilhetes, o que é inaceitável.

Se quisermos que haja uma maior adesão aos transportes públicos há que torná-los mais atractivos, mais baratos, mais confortáveis, mais práticos, com maior flexibilidade de horários, maior ligação entre eles. Uma sociedade realmente desenvolvida não é aquela que obriga o cidadão a ter carro (com todas as despesas e prejuízos para a saúde e a cidadania que isso envolve), mas sim aquela em que a mobilidade é assegurada igualmente para todos. Para quando um investimento na qualidade de vida do cidadão?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Levantar o cú do sofá, está difícil

54% de abstenção. Num momento de crise em que direitos são ameaçados e deveres não são cumpridos, mais de metade dos portugueses nada têm a dizer aos poderes políticos. Este é um grande problema de Portugal: a inércia. Todos dizem mal, mas ninguém faz nada para mudar o que os incomoda.
  • Dizem que os políticos são corruptos e que as coisas em Portugal estão mal, mas dão-lhes oportunidade para mudar as coisas e ninguém levanta o cú do sofá para ir votar;
  • Dizem que os combustíveis estão muito caros e que já não têm dinheiro, mas continuam todos a andar de carro;
  • Dizem que as coisas no trabalho estão mal, mas não aumentam a sua produtividade;
  • Dizem que a educação está pior que nunca, mas não ensinam aos filhos que bater nos professores é errado;
  • Dizem que o sistema de saúde é péssimo, mas também não têm cuidado com a própria saúde, não comem bem, não fazem desporto, não fazem nada;
  • Dizem que a criminalidade cresceu e que a polícia não faz nada, mas se virem alguém a ser assaltado na rua não são capazes de ajudar;
  • Dizem que as crianças já não podem sequer brincar na rua, mas são eles próprios que conduzem em zonas residenciais em excesso de velocidade;
  • Dizem que as ruas estão sujas, mas sempre que vão passear o cão não limpam o cocó que ele faz.

Dizem muita coisa, mas FAZER seja o que for? Está quieto, que no sofá é que se está bem.

Votar: mais do que um direito, um dever!

No passado tu não poderias votar. A tua opinião era considerada desnecessária, os teus direitos eram-te negados, a tua voz era oprimida. Por viveres numa monarquia, por viveres num regime, por seres mulher, por não seres branco, por não seres nobre, por não seres rico, por não seres militar. As justificações foram muitas.

Hoje tu podes votar! Hoje se te sentes incomodado com a situação do país podes ir às urnas e mostrar o teu desagrado. Uma única cruz num papel. Houve quem morresse para te dar este direito.

Vale a pena pensar nisto.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ventos de mudança

É com muito prazer que vejo cada vez mais bicicletas na rua. Hoje cheguei de manhã ao barco e vi algumas bicicletas estacionadas (até reconheci uma delas da cicloficina ehehe), no cais do sodré passaram por mim dois ciclistas muito cycle chic e no regreso a casa vim a partilhar a carruagem com um colega do pedal. Fico contente, pois claro!

Para celebrar o estado de espírito fiz uma pequena paragem no regresso a casa e tirei uma fotografia que ilustra muito bem o prazer que é pedalar à beira-rio de noite, depois de um dia de trabalho.

...anti-stress...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Exercício (generalidades)

O exercício é o melhor medicamento que poderão conhecer:
  • Diminui a gordura corporal
  • Aumenta a massa muscular e a densidade óssea (previne osteoporose)
  • Aumenta flexibilidade, força, coordenação
  • Melhora problemas posturais e as nossas capacidades funcionais
  • Reduz o açúcar no sangue e gordura nas artérias
  • Regula a pressão arterial
  • Previne a diabetes tipo2, o cancro do colón, a osteoartrose, doenças cardiovasculares e doenças da vesícula biliar
  • Aumenta a auto-estima, a nossa imagem corporal e o nosso bem-estar
  • Sentimo-nos com mais “energia” no dia-a-dia

O mais fácil para quem não está habituado a exercitar-se será ir para um ginásio (um que tenha gente qualificada, cuidado). Aí estarão profissionais que vos podem prescrever um plano, corrigir os movimentos e motivar.

Como alternativa podemos inscrever-nos numa modalidade desportiva, (como artes-marciais, atletismo, natação, etc.) ou combinar regularmente com os amigos uma futebulada, passeios de bicicleta, jogos de ténis, ou fazermos por nós próprios caminhadas/jogging/bicicleta.

Agora até existem ginásios ao ar livre e passeios próprios para caminhadas/jogging. Tentar fazer pelo menos 3 vezes por semana.

Para além do exercício “formal” podemos ainda alterar pequenas coisas no nosso dia-a-dia, tornando-o mais activo. Algumas ideias:

  • Ir de bicicleta para o trabalho! (aposto que não estavam à espera desta)
  • Andar de transportes públicos (andamos mais do que ao ir de carro)
  • Se levarmos carro, estacionar mais longe e caminhar mais
  • Durante a hora de almoço caminhar 10-15minutos
  • Quando vamos tomar café aliciar os amigos a dar uma voltinha a pé pelo quarteirão
  • Passear mais o cão e durante mais tempo
  • Utilizar as escadas em vez do elevador e escadas rolantes
  • Limpar mais vezes a casa (esta não vai ser muito popular, aposto)
  • Lavar o carro à mão
  • Jardinar
  • Dançar que nem um pateta sozinho em casa (o preferido da minha irmã - ihihihi)
  • Ao fim-de-semana ir passear com a famelga a pé (num centro comercial não, por favor...), redescobrir as nossas cidades a pé é fantástico.

O que interessa mesmo é mexer e manter a motivação. Se, por exemplo, não gostam de ir ao ginásio, o mais certo é passado um mês não porem lá os pés. Descobrir o que nos motiva e mantermo-nos no plano é fundamental. O exercício é para ser um prazer, não um sacrifício.

Atenção antes de iniciarem um plano de exercício, especialmente se for de intensidade elevada, se forem sedentários, obesos ou sofrerem de qualquer patologia, convém ir ao médico fazer um check-up para ver se está tudo bem.

Alimentação (generalidades)

É fundamental perceber que dietas restritivas, comprimidos mágicos, batidos, dietas de tipo de sangue, dieta dos signos, dieta de um só alimento e coisas parvas deste género não têm fundamento científico nenhum e muitos deles provavelmente fazem mal! O importante é alterar a nossa alimentação de modo sustentado, de maneira a manter os bons hábitos para o resto da vida.

As seguintes dicas foram retiradas do livro Repensar o peso, (escrito por professores da minha faculdade. Não queria fazer publicidade, mas é de longe o melhor livro sobre o assunto que já vi à venda). Acrescentei alguns comentários.

  • Comer 5 a 6 vezes por dia: pequeno-almoço, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar, ceia;
  • Reduzir o tamanho das porções ingeridas;
  • Excluir as gorduras visíveis e reduzir as invisíveis (fritos, carnes gordas, ...,)
  • Preferir lacticínios magros (leite magro, queijo fresco, iogurtes não açucarados)
  • Evitar os refrigerantes e outros produtos com açúcares adicionados (açúcar ninja!)
  • Ter em atenção o consumo de molhos (preferir outros molhos - de soja, de iogurte, etc)
  • Aumentar a proteína magra (soja, leguminosas, carnes de aves sem pele, peixe, clara de ovos, tofu)
  • Comer sopa e/ou salada diariamente
  • Escolher cereais integrais e pouco processados (a maioria de cereais à venda estão carregados de açúcar)
  • Evitar alimentos ricos em açúcar e gordura (bolos, biscoitos, gelados, bolachas, chocolates)
  • Tomar sempre o pequeno-almoço ( ver aqui)
  • Planear o dia alimentar
  • Dedicar mais tempo aos alimentos, na compra, na preparação e na refeição
  • Reduzir as idas ao restaurante
  • Ler atentamente os rótulos e as listas de ingredientes

A ideia principal é que um plano alimentar não deve ser um sacrifício, mas sim um processo de aprendizagem e prazer. Redescobrir os alimentos e o prazer das refeições. O ideal é fazê-lo com a família, criando um processo de entreajuda (para além de melhorarmos a saúde dos que nos estão próximos).

Perder peso – um overview

Muitos temos como resolução de ano novo “perder peso”... um verdadeiro pesadelo!

O peso do corpo inclui a massa isenta de gordura (ossos, órgão, músculo, pele, etc) e massa gorda (chichinha). O que interessa é perder a massa gorda e manter ou aumentar a massa magra (ficarmos com caparro). Só com dieta perdemos peso com sacrifício das duas coisas (gordura e músculo), o que não é muito bom. O ideal é fazer um bom plano alimentar e um bom plano de actividade física.

Antes de iniciar seja o que for é importante perceber qual o ponto da nossa situação. Porque queremos perder peso? (motivos estéticos, de saúde, de estilo de vida?) e motivarmo-nos para tal. A força de vontade é vital em tudo na vida, aqui não será excepção. E, claro, é sempre mais fácil ter um companheiro de aventuras (amigo, namorado/a, esposo/a, cão ou amigos imaginários).

Podemos utilizar o IMC (índice de massa corporal – ver aqui) para ter uma ideia do que devemos (ou não) perder. Sempre que nos pesamos há que o fazer à mesma hora, de preferência em jejum e depois de ir à casa de banho. Não é bom pesarmo-nos todos os dias, pois o corpo tem oscilações de peso naturais. Uma vez por semana é ideal.

Também é boa ideia termos objectivos realistas e saudáveis. 1 a 2 kg por mês é o adequado para não haver grandes oscilações nem descontrolos malucos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Boicote às gasolineiras?

Recebi um e-mail da minha mãe (mal sabia ela onde se metia, coitadinha) para se fazer um boicote às gasolineiras, aparentemente uma mensagem muito popular. A ideia é não abastecermos na GALP e na BP para que eles baixem os preços. Os argumentos dos autores são os seguintes:

  1. "não há mais falta de petróleo, actualmente é mais abundante que há 35 anos quando o preço do litro era a 0,20€."
  2. "Como todos temos necessidade de nos deslocarmos com os nossos automóveis, não podemos, evidentemente, privar-nos da gasolina."

A minha resposta foi esta (perdoa-me mãezinha, gosto muito de ti):

"Querida mãe

Não concordo. Já sei que vais dizer que sou uma activista maluca, mas esta aproximação é completamente errada. O que temos que mudar é a mentalidade de usar o carro para todo e qualquer percurso que fazemos, e a única maneira de o fazer em Portugal é brincar com a carteira das pessoas. Nos últimos 3 meses vi mais pessoas a andar de bicicleta do que em qualquer outro momento da minha vida, creio que seja devido ao preço dos combustíveis.

Não temos que ser fanáticos e andar só de bicicleta (tal como tenho sido injustamente
acusada), mas sabes bem que há muita coisa a mudar. Basta utilizar-se mais os transportes públicos no dia a dia e deixar o carro para uma ou outra ocasião e já se faz uma diferença enorme.

A ideia que temos muito petróleo também é fictícia, já atingimos o pico do petróleo e
é inevitável que ele comece a escassear, não hoje mas sim no futuro. O que é preferível, continuar nesta loucura dos carros (onde Portugal é dos países do mundo com mais automóveis per capita, o que é completamente ridículo tendo em conta a nossa situação económica) ou ir mudando os nossos hábitos a pouco e pouco? Para mim a resposta é clara. Quando uso o carro pago por esse luxo. Nos outros dias vou de transportes e de bicicleta.

Cumprimentos da filhinha maluca
Raquel Guerreiro"