sábado, 8 de janeiro de 2011

Alimentação (generalidades)

É fundamental perceber que dietas restritivas, comprimidos mágicos, batidos, dietas de tipo de sangue, dieta dos signos, dieta de um só alimento e coisas parvas deste género não têm fundamento científico nenhum e muitos deles provavelmente fazem mal! O importante é alterar a nossa alimentação de modo sustentado, de maneira a manter os bons hábitos para o resto da vida.

As seguintes dicas foram retiradas do livro Repensar o peso, (escrito por professores da minha faculdade. Não queria fazer publicidade, mas é de longe o melhor livro sobre o assunto que já vi à venda). Acrescentei alguns comentários.

  • Comer 5 a 6 vezes por dia: pequeno-almoço, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar, ceia;
  • Reduzir o tamanho das porções ingeridas;
  • Excluir as gorduras visíveis e reduzir as invisíveis (fritos, carnes gordas, ...,)
  • Preferir lacticínios magros (leite magro, queijo fresco, iogurtes não açucarados)
  • Evitar os refrigerantes e outros produtos com açúcares adicionados (açúcar ninja!)
  • Ter em atenção o consumo de molhos (preferir outros molhos - de soja, de iogurte, etc)
  • Aumentar a proteína magra (soja, leguminosas, carnes de aves sem pele, peixe, clara de ovos, tofu)
  • Comer sopa e/ou salada diariamente
  • Escolher cereais integrais e pouco processados (a maioria de cereais à venda estão carregados de açúcar)
  • Evitar alimentos ricos em açúcar e gordura (bolos, biscoitos, gelados, bolachas, chocolates)
  • Tomar sempre o pequeno-almoço ( ver aqui)
  • Planear o dia alimentar
  • Dedicar mais tempo aos alimentos, na compra, na preparação e na refeição
  • Reduzir as idas ao restaurante
  • Ler atentamente os rótulos e as listas de ingredientes

A ideia principal é que um plano alimentar não deve ser um sacrifício, mas sim um processo de aprendizagem e prazer. Redescobrir os alimentos e o prazer das refeições. O ideal é fazê-lo com a família, criando um processo de entreajuda (para além de melhorarmos a saúde dos que nos estão próximos).

Perder peso – um overview

Muitos temos como resolução de ano novo “perder peso”... um verdadeiro pesadelo!

O peso do corpo inclui a massa isenta de gordura (ossos, órgão, músculo, pele, etc) e massa gorda (chichinha). O que interessa é perder a massa gorda e manter ou aumentar a massa magra (ficarmos com caparro). Só com dieta perdemos peso com sacrifício das duas coisas (gordura e músculo), o que não é muito bom. O ideal é fazer um bom plano alimentar e um bom plano de actividade física.

Antes de iniciar seja o que for é importante perceber qual o ponto da nossa situação. Porque queremos perder peso? (motivos estéticos, de saúde, de estilo de vida?) e motivarmo-nos para tal. A força de vontade é vital em tudo na vida, aqui não será excepção. E, claro, é sempre mais fácil ter um companheiro de aventuras (amigo, namorado/a, esposo/a, cão ou amigos imaginários).

Podemos utilizar o IMC (índice de massa corporal – ver aqui) para ter uma ideia do que devemos (ou não) perder. Sempre que nos pesamos há que o fazer à mesma hora, de preferência em jejum e depois de ir à casa de banho. Não é bom pesarmo-nos todos os dias, pois o corpo tem oscilações de peso naturais. Uma vez por semana é ideal.

Também é boa ideia termos objectivos realistas e saudáveis. 1 a 2 kg por mês é o adequado para não haver grandes oscilações nem descontrolos malucos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pedagogia

O leitor Miguel Brito tem feito sistematicamente comentários muito carinhosos sobre os meus posts, sendo este o meu favorito:

Descobri este blog recentemente, e é sintomático da nova atitude pedalistica: Descubro cada vez mais que andar de bicicleta não é simples, natural e complementar, é algo religioso, obsessivo e de atitude talibã. Porque será que quem pedala quer sempre ser "mata-carros"? Assumem a sua liberdade de escolha como pedadogia revolucionária para impor aos outros a sua visão parcelar.”

Caro Miguel.

Fico muito feliz por ter descoberto este blog. No entanto, nego sofrer de quaisquer complexos religiosos, obsessivos ou de talibãs . Deixe-me dizer-lhe que uso o carro todas as semanas, tal como uso a bicicleta, os transportes públicos e os meus pézinhos. Não sou nem quero ser mata-carros. Pode acontecer num ou noutro dia de frustração eu expressar os meus sentimentos no meu blog PESSOAL (que só lê quem quer), tal como já aconteceu.

Quero deixar muito claro: não sou exemplo para ninguém. Dizer mal é fácil, é o que os portugueses mais fazem. Já apontar o que está mal e apresentar ALTERNATIVAS é muito mais dificil e interessante, e é esse o intuito deste blog: apresentar um estilo de vida alternativo para quem está descontente ou quer algo mais.

Se está contente com tudo na sua vida e acha que não tem de alterar nenhum comportamento nem nenhuma atitude e que é perfeito, ainda bem. Oxalá fossemos todos assim, tão divinos. Eu não tenho ilusões de perfeição, tento melhorar todos os dias, fazendo pequenas acções que me beneficiem a mim, mas também aqueles que me rodeiam.

Deixo também muito claro que quero ser livre de pedalar se assim o desejar, sem ter que aturar as bestas que passam por mim em excesso de velocidade e põem em perigo a minha vida (e portanto a minha liberdade) e sem apitadelas de anormais que não têm o mínimo de respeito pelos outros. Tal como se quiser ir de carro, a pé, de trotinete, a cavalo, ou mesmo nua a correr pelas ruas não admito que ninguém mo impeça, especialmente se puserem a minha vida em perigo.

Caro Miguel, não quer andar de bicicleta? Não ande. Não quer usar os transportes públicos? Não use, leve o seu carro para onde quizer, desde que não me atropele quando vou de bicicleta ou a pé, nem me bata quando vou de carro, somos todos amigos. Não quer levar comida feita de casa? Não leve, mas não admito que mande boquinhas a dizer que ando a roubar comida que alguém trabalhou para comprar por mim. O excelentíssimo não me conhece nem faz ideia do que faço ou deixo de fazer para ter aquilo que tenho e para ser aquilo que sou.

Eu vou continuar alegremente a apresentar alternativas inteligentes, engraçadas, originais, económicas e saudáveis a todos aqueles que querem mudar qualquer coisa nas suas vidas.

E até lhe deixo uma foto minha a andar de comboio e portanto, de acordo com a sua lógica, a ser moralista e talibã.


Cumprimentos e bons pontos de embraiagem para si

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Comer fora versus Levar de casa

Comer fora todos os dias é um hábito muito comum em portugal. No entanto este hábito pode sair bem caro. Ora vamos lá às contas (que eu tanto gosto):
  • almoço "barato" num centro comercial: 5 € + lanche "barato" no café: 2€ = 7€ por dia
  • 7€ x 5(dias por semana) x4 (semanas) = 140€ por mês
Levar comida feita de casa é sem dúvida um grande desafogo ao fim do mês. Se, como eu, vivem a contar os tostões (ou por serem forretas ou por ganharem pouco ou por preferirem gastar o dinheiro noutras coisas) é uma grande ideia a implementar.

O pior é que a maior parte dos locais de trabalho não têm condições para fazermos a nossa refeição. São coisas que se podem mudar (um micro-ondas da marca Kunft custa 39€). Por exemplo, eu e as minhas colegas comprámos entre nós uma chaleira, pratos, talheres e outros "necessaires" para podermos comer confortavelmente nas nossas mesas de trabalho.

Para além de poupar nos euros, levar comida de casa permite-nos ainda fazer uma alimentação mais correcta, pois somos nós que escolhemos e confeccionamos a comida.
Portanto se me virem a passar com a minha pasteleira ninja já sabem, há grandes probabilidades de levar a marmita na mala (por favor não me atropelem, já viram o desperdício de comida que era?).

Bons exemplos: Holanda

Às vezes dou comigo a levar buzinadelas e com lama na testa e pergunto-me "o que têm os nórdicos a mais que nós?" Fui então ver o caso da Holanda. Este país tem 16.5milhões de pessoas, 17 milhões de bicicletas e 27% de TODAS as viagens são feitas em duas rodas.


A história da bicicleta como meio de transporte começou há mais de um século atrás (história das ciclovias na Holanda). Em 1890 apareceram as primeiras ciclovias, e em 1905 foi criada a primeira lei em defesa dos ciclistas: proibida a invasão das ciclovias por outros métodos de transporte. A partir daí foi sempre a pedalar!

Hoje a Holanda tem extensas ciclovias em óptimas condições, que percorrem não só as principais cidades como também ligam estas aos subúrbios e aos meios rurais. Os ciclistas têm locais de espera especiais nos semáforos (em frente aos carros, para serem visíveis) e têm “atalhos” especiais nos cruzamentos, onde podem virar à direita sem esperar pelo verde dos semáforos.

Todas as zonas residenciais têm um limite de 30km/h e estruturas físicas (árvores, pilaretes, lombas, estradas mais estreitas) que condicionam o trânsito de carros.

As cidades têm extensos parques para bicicletas, especialmente em todas as estações de comboios (urbanos, suburbanos e regionais) e metro (onde costumam ter guardas, câmaras de vídeo e até oficinas para bicicletas). Os transportes públicos estão extremamente bem coordenados e as estações de comboio têm quase todas um rent-a-bike.


As leis protegem os ciclistas: o automobilista será culpado em quase todas as ocasiões em que houver acidentes com bicicletas.

Para assegurar que todos percebem bem o esquema da coisa, as crianças têm aulas de condução de bicicletas na escola primária, onde têm de passar num teste supervisionado pela polícia de trânsito. Ao tirar a carta os automobilistas são ensinados a respeitar os peões e as bicicletas.



Estamos com mais de um século de atraso... será que aprendemos com os bons exemplos?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sacos de plásticos banidos da Itália

A partir deste ano os sacos de plástico são proibidos na Itália. Excelente! Precisamos cada vez mais de bons exemplos. Os sacos de plástico são produzidos através de petróleo e levam várias décadas a decomporem-se. Já para não falar nos milhões de sacos de plásticos que vão parar ao oceano e matam milhares de tartarugas, golfinhos e outros animais sufocados.

Em Portugal já existem campanhas para as pessoas levarem os seus próprios sacos para as compras e certos supermercados (como o Pingo Doce) já cobram os sacos de plástico. Alguns passos na direcção certa, o que é positivo.

Para lerem a notícia completa: http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-12097605

Boicote às gasolineiras?

Recebi um e-mail da minha mãe (mal sabia ela onde se metia, coitadinha) para se fazer um boicote às gasolineiras, aparentemente uma mensagem muito popular. A ideia é não abastecermos na GALP e na BP para que eles baixem os preços. Os argumentos dos autores são os seguintes:

  1. "não há mais falta de petróleo, actualmente é mais abundante que há 35 anos quando o preço do litro era a 0,20€."
  2. "Como todos temos necessidade de nos deslocarmos com os nossos automóveis, não podemos, evidentemente, privar-nos da gasolina."

A minha resposta foi esta (perdoa-me mãezinha, gosto muito de ti):

"Querida mãe

Não concordo. Já sei que vais dizer que sou uma activista maluca, mas esta aproximação é completamente errada. O que temos que mudar é a mentalidade de usar o carro para todo e qualquer percurso que fazemos, e a única maneira de o fazer em Portugal é brincar com a carteira das pessoas. Nos últimos 3 meses vi mais pessoas a andar de bicicleta do que em qualquer outro momento da minha vida, creio que seja devido ao preço dos combustíveis.

Não temos que ser fanáticos e andar só de bicicleta (tal como tenho sido injustamente
acusada), mas sabes bem que há muita coisa a mudar. Basta utilizar-se mais os transportes públicos no dia a dia e deixar o carro para uma ou outra ocasião e já se faz uma diferença enorme.

A ideia que temos muito petróleo também é fictícia, já atingimos o pico do petróleo e
é inevitável que ele comece a escassear, não hoje mas sim no futuro. O que é preferível, continuar nesta loucura dos carros (onde Portugal é dos países do mundo com mais automóveis per capita, o que é completamente ridículo tendo em conta a nossa situação económica) ou ir mudando os nossos hábitos a pouco e pouco? Para mim a resposta é clara. Quando uso o carro pago por esse luxo. Nos outros dias vou de transportes e de bicicleta.

Cumprimentos da filhinha maluca
Raquel Guerreiro"


domingo, 26 de dezembro de 2010

Natal e Coiso

Lá passou mais um Natal. Não sendo católica nem (muito) materialista o meu conceito de Natal é bastante diferente do da maioria das pessoas, não é pelo nascimento de ninguém nem pelas prendas, é simplesmente pela presença da minha família.

Espero que o Natal tenha corrido da melhor maneira a todos vós, com prendas qb e verdadeiro amor pelo próximo. Para cinismo já temos o ano todo, não é?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Algumas Respostas Práticas

Na sequência do postExercício Prático: Bicicleta + Transportes vs Automovel”, foram-me postas as seguintes questões pelo leitor aidj:

"Algumas perguntas práticas, porventura fúteis:

  1. E não chega transpirada ao trabalho ou à faculdade?
  2. Quando chove?
  3. Protecção de livros e haveres pessoais na viagem?"

1 – Levo sempre a minha roupa “normal” e nunca tive problemas com suor. Costumo ir a velocidade moderada, dependendo das condições climatéricas e de como me "apetece". Gosto de apreciar o meu passeio matinal. Existe todo um movimento sobre esta forma de locomoção chamado cyclechic (veja aqui o original de Copenhaga e o português). Para além disso quanto mais pedalar menor será o “esforço” e por consequente menor o suor (e a barriga ehehe).

2 – Quando chove levo um impermeável por cima da roupa e umas botas de cabedal até meio da perna. Se chover mesmo muito, ou se não me apetecer pedalar por alguma razão, tenho sempre a opção de ir de carro ou de autocarro até ao barco. Andar de bicicleta não tem de ser o tudo ou nada, mesmo que pedale só metade dos dias já vai fazer diferença na saúde, no ambiente e no orçamento.

3 – Nos dias solarengos em que não tenho aulas levo malas de senhora normais (em vez de ir ao ombro vão no cestinho da pasteleira - tal como pode ver aqui). Quando tenho aulas costumo levar uma mala à tira-colo da eastpack (que é impermeável), normalmente presa no suporte traseiro da pasteleira (para não carregar com o peso às costas).

O lema a seguir é style over speed (cyclechic): ir de bicicleta não é "suor", é sexy!

Mais perguntas interessantes serão sempre bem-vindas e respondidas assim que tiver disponibilidade para tal :)